Porque resolvi escrever esse texto (filme)
Esses dias eu estava assistindo a aquele filme do dilema das redes sociais. É uma espécie de filme/documentário. Naturalmente, fiquei pensativo sobre todo o conteúdo do filme. Contudo, comecei a me fazer perguntas mais profundas sobre o tema.
Afinal, todos nós temos alguma rede social. Seja de forma anônima ou pública. Todos temos. Essa discussão é antiga e sempre tem os mesmos atores em todas elas.
Assim sendo, vejo muita gente indo para o YouTube e dizendo que apagou redes sociais e como isso mudou a vida deles. Mas espera aí? O que é o YouTube hoje em dia?
Podemos ver vídeos curtos e longos, escrever publicações e comentar em publicações. Então isso é o quê? Fiquei pensando sobre esse tema. Disso tudo, nasceu esse texto aqui…
Como eu Lidei com as Redes Sociais no Passado
O ano era 2011 e se você ainda não tem nenhuma tatuagem ou ficou em uma ilha deserta, você provavelmente ouviu falar do tal do Facebook. Antes dele, tínhamos uma invenção turca, que se chamava: Orkut.
Quando penso no Facebook de 2011. Eu penso em um avião de primeira classe! Era tudo muito bonito. Digo, o layout era belo! Fiquei impressionado de cara, não sabia usar de início. Como assim não tinha fazendinha? Não podia deixar depoimento? E, ainda assim, não se falava em outra coisa a não ser isso…
Óbvio que eu corri e fiz um para mim. Eu sempre fui o cara do computador e não do celular. Eu demorei alguns anos para ter um celular e incorporar ao meu dia a dia. Meus amigos com 15 anos já tinham o lendário Siemens que trocava a capa da tela (isso é coisa de gente das antigas). Enquanto isso, eu nem me importava com aquilo. Meu primeiro celular foi um 3310 da Nokia.
Celular bao! Que acabei trocando em um PlayStation um, onde fritamos de tanto jogar PES e outros jogos de CD. Na época eu havia ganhado do meu pai esse celular e o danado do chip da Oi com 31 anos para falar grátis aos finais de semana com quem quisesse.
Lembro que alguns anos depois, eu trabalhei muito e juntei dinheiro por um ano. Pois eu vi um cara no ônibus um dia. Jogando Street Fighter em um iPod. Não demorou muito e fui comprar um iPod para mim. Minhas economias de 6 meses foram investidas nesse aparelho.
Um mês depois de encomendar e ir buscar na loja. Eu tinha música, vídeo clipe, filmes e jogos em um iPod. Era tão fino e a bateria era tão boa para a época que eu nem acreditava na minha aquisição.
Naquela altura da vida. Eu só precisava disso. Eu sempre gostei de filmes e músicas. Portanto, essa experiência com Apple me encantou desde o início.
Até então eu tive que dar essa volta. Para te explicar por que até 2013. Eu ainda não tinha sequer um celular. Eu comecei a trabalhar em 2009. Não era falta de grana. Eu tinha meu notebook e um iPod. Do que mais precisava? Então...
Eis que viraliza em 2013, o tal do Instagram… Naquela altura, eu já tinha uma conta no Facebook que acessava via pc. As coisas estavam acontecendo rápido demais. Minha mente não queria (ou não fazia questão) de acompanhar aquilo tudo. De repente, você era amigo de todos. Falava com todos e postava coisas.
Eu cresci brincando no prédio, na rua, jogando jogos de tabuleiro emprestados e lendo livros. Eu não entendia o que tudo aquilo representava ainda. Era uma revolução rápida e silenciosa.
Nessa mesma época, os celulares Android surgiram como o fogo que se alastra em campos. Logo, se espalharam e eram tendência. Eu tive uma ex-namorada para quem comprei um desses telefones na época. Fiquei surpreso em como esses aparelhos eram como computadores. Dava para fazer literalmente de tudo nele.
Ainda assim, eu seguia feliz com meu iPod e Notebook. Mas sabe como é a vida… A pressão social vai te “obrigando” a te adaptar. Meus pais insistiram que eu tivesse um celular. Até me deram um daqueles Nokia flip usados. Só para se comunicarem comigo. Eu aceitei e nunca me importei muito com essa bugiganga.
Todavia, em 2013 eu vendi meu iPod (amarga decisão) e comprei um Galaxy S3 (que acabei perdendo posteriormente). Eu precisava de um smartphone para fazer e usar o danado do Instagram. E, sim. Era legal demais no início!😎
Naquela altura, eu tinha Facebook e Instagram na palma da mão. Eu já não ouvia tanta música como antes, nem via tantos filmes e vídeo clipes. Para quem cresceu usando Walkman, Discman, MP3, MP4, mp10, mp20 e etc… Era muitaaaaaa tecnologia e poder nas mãos.
Embora, tudo aquilo fosse muito legal. Eu percebia uma coisa estranha dentro de mim. Uma ansiedade, uma angústia de não ver o que as pessoas estavam fazendo. Acompanhadas de uma vontade imensa de mostrar o que eu comia, bebia e fazia para todos olharem. Comecei a me perguntar: Porque estou fazendo isso?
Como eu Lido com as Redes Sociais hoje
Os anos se passaram e agora vamos para 2016. Provavelmente foi o ano em que eu mais publiquei coisas on-line. Logo, nascia também esse blog aqui também.
Foi excelente porque minha vida nessa altura estava às mil maravilhas. Eu tinha a sensação de ser um super-homem de fato. Mas sabe como é; não podemos expandir para sempre na vida… Ou você já viu árvore que não para de crescer?
O ano de 2017 veio e estagnei, e de 2018 até 2022 vieram meus períodos de queda. Naquela época eu me perguntava o que postar. Parecia que não postar nada era pior do que postar qualquer coisa. Então, às vezes ia qualquer coisa mesmo...
Eu me lembro de uma tarde em 2020. Eu me sentei no chão da minha casa e comecei a chorar. Chorava sem parar. Que sentimento diferente eu estava vivendo naquele momento. Ninguém me magoará, ninguém havia me feito mal algum. Por que eu não conseguia parar de chorar? Era tudo o que pensava.
Era o tal do burnout… Me recordo de que nessa época tínhamos muito tempo. E ficávamos muito tempo mesmo online. Isso nos levou à comparação, ansiedade e dúvidas em níveis que mal posso descrever. Amarga pandemia... Foi um dos períodos em que mais aprendi na minha vida.
Seja como for, foi nessa época que busquei ajuda e comecei a fazer terapia. Quando comecei as sessões. Eu percebia o quanto minha mente estava bagunçada. E, ei. Sério! Levamos cinco anos para arrumar a casa novamente… Não desista na décima ou vigésima sessão.
Acredito que poucos de nós têm a noção do quanto estamos bagunçados, sem foco e com dúvidas por um mundo em que se vive com pressa. Depois dos vídeos na vertical lançados pelo Tiktok. Nosso sossego acabou. Todas as plataformas introduziram o sistema e agora corremos mais ainda.
Tudo é rápido e tudo é instantâneo (insta-gram). Senão prende sua atenção em 15 segundos já era. Você se pega desbloqueando o celular toda vez e nem lembra por que o fez? Automátistmo. Conteúdo lixo. Minha terapeuta atacou dois pontos cruciais na época comigo:
- Papel e caneta para tudo
- Gestão do tempo
Eu instalei e desinstalei milhares de vezes os aplicativos no meio do caminho. Realmente, não adianta de muita coisa. O segredo está em disciplinar sua mente contra essa dopamina barata e letárgica.
Uma dica e um Conselho
Se eu pudesse voltar no tempo, a única coisa que teria feito de diferente seria não ter apagado minha primeira conta no Facebook. Eu tinha muitas pessoas lá. Agora já era. Sendo assim, quero te contar a percepção que eu tenho sobre redes sociais hoje em dia. Depois de muito matutar.
Hoje, eu enxergo as redes sociais como uma forma de armazenar e manter os contatos. Foi assim que consegui minha vaga de trabalho atual. Foi assim, que consegui me encontrar com ex colegas de trabalho e amigos de velha data e foi assim que reencontrei com minha esposa. E muito provavelmente é assim que vamos nos comunicar daqui para frente.
O meu questionamento até aqui é um: Senão fosse as redes sociais, qual seria o problema? Seja como for, em toda a história da humanidade algo sempre nos atrapalhou. Contudo, se pensarmos por um momento. Qualquer pessoa de classe média baixa no Brasil tem mais recursos hoje, que muitos nobres feudais. Vivemos mais, melhor e com mais recursos.
A questão é: como usar isso para o nosso benefício? Depende!
Não há uma resposta padrão para todo mundo. Elas têm o poder de potencializar seu negócio e ampliar contato. Ao mesmo tempo que te vicia em feed e os memes.
A diferença entre remédio e veneno. É a dosagem.
O meu questionamento hoje é o seguinte: Nessa era, temos redes sociais como grande vilão da nossa atenção. E isso é verdade! Todavia, você é quem está no controle. Parar, refletir e deixar o celular de lado podem sim ser uma opção (eu sei o quanto difícil é).
Logo, se você analisar outras épocas da humanidade, tivemos problemas com guerras, crises econômicas, álcool, drogas e mais um monte de fatos que nem consigo listar todos, tamanho seria esse texto. A grande questão é:
Problemas existem, sempre existirão e vão continuar existindo. Para sempre, até o dia em que você morrer provavelmente. Eu estou aqui para te alertar que o salvador da pátria está do outro lado do espelho. E se você tirar um tempo. As redes sociais podem, sim, ser uma ótima ferramenta.
Portanto, como toda ferramenta. Assim que se fizer o uso e finalizar, devemos devolver a ferramenta para o seu devido lugar. Encontre um lugar na sua casa em que você sempre deixe seu celular por lá. Um pouco distante, mas sempre por lá. De preferência com a tela para baixo e com menor número possível de notificações. Pense nas palavras que leu aqui e reflita em como aplicar isso à sua vida.
Espero do fundo do coração que esse texto possa te encontrar em um momento e te ajudar a ir para um momento melhor. Você consegue e você é capaz.
Até breve!
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